MEI 2026: Teto de Faturamento Mudou? Veja as Regras Reais e Evite Multas

O teto do MEI mudou ou não em 2026? Entenda a regra real, a mudança que já está em vigor no cálculo do faturamento, e use nosso checklist para saber se você ainda se enquadra.

FERRAMENTAS

Leandro Marques Carvalho

7/25/20264 min read

MEI em 2026: O Que Muda no Teto de Faturamento e Como Isso Afeta seu Planejamento

Se você tem um MEI (Microempreendedor Individual, o modelo mais simples de formalização de pequenos negócios no Brasil), talvez já tenha ouvido falar em mudanças no teto de faturamento para 2026. Antes de se preocupar à toa, ou pior, deixar de se atualizar sobre uma mudança real, vamos esclarecer o que de fato está em vigor este ano, e o que ainda é apenas proposta em discussão.

Entender essas regras não é só uma questão burocrática. Elas impactam diretamente o planejamento financeiro do seu negócio, e ultrapassar o limite sem perceber pode gerar cobranças retroativas e multas. Neste artigo, vamos explicar tudo isso de forma simples, e trazer um checklist prático para você saber se ainda se enquadra como MEI.

O Teto de Faturamento do MEI em 2026

Ao contrário do que muita gente imagina, o teto de faturamento do MEI não mudou em 2026. Ele continua em R$ 81.000 por ano, o equivalente a uma média de R$ 6.750 por mês, valor que está em vigor desde 2018, sem nenhum reajuste pela inflação até o momento.

É importante entender que esse limite é sobre a receita bruta, ou seja, tudo que entrou no caixa do negócio, sem descontar despesas, custos com fornecedores ou impostos pagos. Quem abre o MEI no meio do ano tem um limite proporcional, calculado multiplicando R$ 6.750 pelo número de meses de atividade, incluindo o mês de abertura.

A Mudança Real que Já Está em Vigor: Resolução CGSN nº 183/2025

Mesmo com o teto de faturamento mantido, uma mudança importante já está valendo e pegou muitos MEIs de surpresa: a Resolução CGSN nº 183/2025.

Essa resolução determina que rendimentos recebidos diretamente na pessoa física (CPF), relacionados à mesma atividade exercida pelo CNPJ do MEI, agora contam para o cálculo do limite de faturamento. Na prática, isso afeta principalmente quem acumula MEI com outro vínculo relacionado à mesma área de atuação, recebendo parte da renda pelo CNPJ e parte diretamente no CPF.

Antes, essa prática já era observada em fiscalizações, mas agora está oficialmente formalizada, o que exige ainda mais atenção de quem se encontra nessa situação.

O Que Acontece se Você Ultrapassar o Teto

As regras para quem ultrapassa o limite de faturamento seguem dois caminhos diferentes, dependendo do quanto o teto foi superado:

  • Ultrapassagem de até 20% (até R$ 97.200 no ano): gera a cobrança de um DAS complementar (um valor adicional de imposto), e a migração para Microempresa (ME) passa a valer a partir de janeiro do ano seguinte.

  • Ultrapassagem acima de 20%: o desenquadramento passa a ser retroativo, com cobrança de juros e multas sobre o período em que o negócio já operava acima do limite permitido.

Isso reforça por que acompanhar o faturamento mês a mês, e não só no fim do ano, é essencial para evitar surpresas desagradáveis.

O "Super MEI": O Que é Proposta e o Que Já é Lei

Existem atualmente projetos de lei em tramitação no Congresso que discutem a ampliação do teto do MEI, um deles conhecido informalmente como "Super MEI". Alguns pontos importantes sobre essas propostas:

  • Um dos projetos propõe elevar o teto para R$ 140 mil por ano, com uma alíquota diferenciada para quem faturar entre R$ 81 mil e esse novo limite.

  • Outro projeto propõe um teto de R$ 150 mil, com atualização anual pela inflação.

  • Até o momento, nenhum desses projetos foi sancionado. O limite oficial em vigor continua sendo R$ 81 mil por ano.

Por isso, é importante desconfiar de conteúdos que afirmem, como se fosse fato consumado, que o teto já subiu. Vale sempre confirmar informações diretamente no Portal do Empreendedor (gov.br), especialmente antes de tomar decisões baseadas nesse novo teto.

Checklist: Você Ainda se Enquadra Como MEI?

Use esta lista simples para revisar sua situação atual:

  • [ ]Meu faturamento bruto acumulado no ano está dentro do limite de R$ 81 mil (ou do limite proporcional, se abri o MEI durante o ano)?

  • [ ] Estou somando corretamente qualquer rendimento recebido no CPF, referente à mesma atividade do meu CNPJ MEI?

  • [ ] Tenho um controle mensal do faturamento, e não apenas uma conferência no fim do ano?

  • [ ] Caso eu ultrapasse o limite, já sei se isso ficará dentro dos 20% de tolerância ou se será uma ultrapassagem maior?

  • [ ] Estou preparado, financeiramente e operacionalmente, para migrar para Microempresa, caso o crescimento do negócio exija isso?

Se você respondeu "não" a alguma dessas perguntas, esse é um bom momento para organizar o controle financeiro do seu MEI, unindo esse cuidado à separação entre contas pessoais e profissionais, tema que já exploramos em outro artigo aqui do blog.

Ficar Atento às Regras Também é Parte do Planejamento Financeiro

Manter-se dentro do MEI, ou migrar no momento certo para outro regime, não é apenas uma questão burocrática. É parte do planejamento financeiro do seu negócio, evitando multas, cobranças retroativas e surpresas que poderiam ser facilmente previstas com um acompanhamento simples e constante.

E você, já revisou seu faturamento acumulado este ano? Conta pra gente nos comentários como está o controle do seu MEI e compartilhe este artigo com outros empreendedores que também precisam ficar de olho nessas regras.